Com a força da tendência dos cabelos naturais, as mulheres ganham mais coragem para romper com os ciclos da química e assumir suas madeixas. Saiba tudo sobre a transição capilar.

Parafraseando o ditado “em terra de chapinha, quem tem cachos é rainha”. E não são só os cachos, não. As ondas, os fios retos, grisalhos e todos as suas variações deles são as novas coroas das rainhas do século 21. As mulheres que rompem com um estereótipo de beleza para se aceitarem estão sendo consideradas ousadas e muito seguras de si. Bom…e elas são mesmo!

Porque em algum momento da nossa vida algo/alguém nos disse que aquele cabelo com o qual a maioria de nós tinha nascido não era bom o suficiente, e que para sermos lindas era preciso conquistar umas madeixas iguais às de fulana ou siclana.

Minha história sobre a transição capilar

Meu cabelo é naturalmente ondulado e cheio. Quando tinha uns 13/14 anos ele começou a passar pela horrível transição da adolescência (oh céus! A adolescência) com sua terrível explosão de hormônios que transformaram minha cabeça em um bolo de mechas muito doidas com muito frizz, alguns cachos e ondas aqui e ali. Não bastasse isso, veio também a necessidade de me encaixar em um determinado padrão para me sentir aceita. E daí com 16 anos eu me vi passando pela minha primeira progressiva.

Nossa! Eu esqueci aquelas quatro horas de tortura no salão (com o forte de cheiro de química e o desconforto do processo) no minuto em que eu saí e o vento bateu nos fios…e eles voaram cheios de balanço e movimento. Sério, eu senti como se estivesse em um daqueles comerciais de shampoo. E depois vieram os elogios e as investidas. Meu Deus! Aquele deveria ser o auge da minha vida, eu pensava comigo mesma.

Mas não era. Em um mês o meu visual não era mais nenhuma novidade e tudo voltou ao normal. E então eu já tinha novas metas: malhar para ter um corpo mais bonito, começar a juntar dinheiro para uma cirurgia no nariz e uma turbinada nos peitos e…umas mechas para clarear o cabelo, quem sabe?

Pois é, a questão é que desde aquela época eu virei uma refém da progressiva (mais ou menos duas vezes por ano lá estava eu o salão para passar por tudo aquilo de novo e largar uma grana em alisamento). Só que – claro – as coisas não pararam por aí, eu também fiz umas mechas vez ou outra, clareei o cabelo (só para “mudar o visual”) e tudo sempre acompanhado de uma boa dose de formol.

No começo de 2015, depois de algumas desventuras em salões de beleza, meu cabelo estava pior que nunca. Claro que, desde que comecei a jogar química nos fios, eles já não eram lá tão saudáveis…mas agora estavam caindo em tufos, quebrando com muita facilidade, sempre muito embolados, mais secos que vassoura de palha e elásticos (eu pegava um fio e conseguia esticá-lo antes de ele arrebentar).

Foi o fim. Lógico que até então eu já tinha relaxado bastante em relação à progressiva, mas toda vez que a textura da raiz começava a destoar do resto da mecha e a coisa (leia-se: cabelo) ficava incontrolável, eu perdia a paciência e corria meter um formolzão no bendito. Mas nessa altura do campeonato, eu já tinha amadurecido bastante e, com a situação ficando mais gritante, percebi que era hora de evoluir essa mentalidade também.

Desde então, tomei medidas para recuperar o cabelo que sempre deveria ter tido. Essa transição capilar não foi/está sendo fácil. Só que também não é nada impossível. A voz vaidade e da sociedade ainda aparecem para dizer “seria muito mais fácil se produzir com a versão alisada” ou qualquer coisa do tipo.

Mas a gente respira fundo, abstrai e segue com o plano – porque vale muito a pena! E se você também chegou nesse ponto em que decidiu desapegar de tanta química, aperte os cintos e vem comigo porque eu reuni todas as dicas para você passar por essa fase sem tanto (melhor ainda se for nenhum) drama!

Primeiro de tudo 

– Você está disposta? Seja em nome da saúde dos fios ou simplesmente desejo de se libertar da escravidão da química, você precisa ter certeza do que você quer. Porque, como eu já disse, o começo é mais chato porque o cabelo realmente fica com uma aparência esquisita e vai ter dias que você terá vontade de desistir, mas precisará ser forte.

– Tem pressa? Então esquece! Não dá para ter pressa quando você quer passar por um processo no qual a velocidade não depende apenas de você. São diversos fatores que vão influenciar o ritmo de recuperação das madeixas, mas ela nunca leva menos de um ano.

– Você não é obrigada a nada. Esta não é uma apologia aos cabelos enrolados ou aos naturais. Se você está feliz e satisfeita assim como está, perfeito! A proposta é dar uma orientação e ajudar todas que chegaram a um ponto em que decidiram abandonar a química e fazer a transição capilar. Não é porque a “moda dos cabelos naturais” voltou que você precisa se adequar a ela ou deva ser recriminada de qualquer maneira por não seguir a tendência.

– Procure se informar. Vá atrás de depoimentos e dicas de pessoas que passaram ou estão passando pela transição capilar para ter certeza de que está preparada para isso. Munida de informações, você pode tornar o processo muito mais simples e agradável. Em casos de danos mais severos ao cabelo, procure se consultar com um dermatologista para obter orientações que a deixem mais segura.

transição capilar

– Faça uma pasta de inspirações. Toda vez que você se sentir desanimada por causa do seu cabelo (sim, eles têm esse poder sobre algumas de nós), abra a pasta com imagens de pessoas que a inspiram e também passaram pela transição capilar. Junte fotos de antes e depois, tutoriais de penteados para salvar os bad hair days, alternativas para uma produção mais elaborada, dicas/receitas que ajudam essa fase, etc.

Começando a transição capilar.

transição capilar

– Dê um basta na química

Parece simples porque é mesmo. O segredo é ter paciência (e muita) pois só assim seu cabelo voltará a crescer natural. Mas quando a química começa a vencer é que são elas! As chances de ter uma recaída na primeira fase da transição capilar são muito maiores, afinal este é aquele momento que a raiz fica “fofa”, a cor fica esquisita, um mix de texturas estranho e desconcertado.

Mas fique firme ao plano e procure formas de disfarçar o que a incomoda. Secador, escova e chapinha podem ser grandes aliados neste momento, desde que sejam combinados com protetores térmicos, produtos e tratamentos que protejam as madeixas.

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– O grande corte

O grande corte (ou big chop) é uma ótima alternativa para as mulheres que querem se livrar de vez da química e não têm muita paciência. Ele consiste em cortar toda a (ou uma considerável) parte danificada do cabelo. Funciona principalmente para aquelas que são reféns dos alisamentos, porque o maior incômodo é lidar com as texturas diferentes no comprimento do cabelo.

Dessa forma, as madeixas parecem mais uniformes e você tem menos trabalho para “domar” os fios que estão crescendo e são diferentes do resto. O big chop é interessante para algumas pessoas, mas nem todas se sentem bem com uma mudança tão radical, por isso que ele é apresentado apenas como uma opção.

No meu caso, minha raiz não é tão enrolada (embora ela fique muito mais com os fios quebrados e nascendo bem curtinhos) e eu realmente acho que ficaria um demônio de cabelo curto, então resolvi cortar os fios num long bob para cuidar melhor e tirar uma boa parte do comprimento que não estava saudável.

transição capilar

– Abrace hábitos saudáveis

Tudo pode influenciar a aparência do cabelos – dos cosméticos que você usa até o que você come. Para estimular o crescimento de fios saudáveis, adote alguns hábitos como: uma rotina de cuidados com as madeixas, tenha em mãos os produtos adequados para o seu tipo de cabelo, procure se alimentar de forma saudável, ingerir vitaminas e nutrientes, praticar exercícios físicos, fugir do estresse e, com o tempo, ir diminuindo o uso das ferramentas de calor (chapinha, secador, babyliss).

– Procure a melhor maneira de tratar seus fios

Isto vai variar de acordo com a necessidade dos seus cabelos. Procure um cabeleireiro de confiança que possa dizer do que os seus fios mais precisam neste momento. Geralmente, as madeixas quimicamente tratadas precisam de tudo: nutrição, reconstrução e hidratação (principalmente hidratação), por esse motivo especialistas desenvolveram o cronograma capilar (link: http://madlyluv.com/cronograma-capilar-os-mitos-e-verdades-sobre-ele-e-dicas-de-produtos/), que é uma espécie de agenda para restauração do cabelo – e parece que funciona mesmo, preciso testar! Mas existem também as  técnicas de Low Poo e No Poo (http://madlyluv.com/ruivices-e-low-poo/), que também podem ser feitas em casa, e muitas outras realizadas em salão.

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– O seu cabelo passará por um período de abstinência

Parece louco, eu sei! Mas os seus fios sentirão falta da química em um primeiro momento e podem ficar meio rebeldes. Funciona como o organismo e uma droga qualquer à qual ele esteja conformado, as madeixas vão “estranhar e reclamar” e farão isso porque sem a “máscara” que química cria no cabelo, você vai poder enxergar o quanto ele realmente está danificado. Nesta hora também é bom evitar produtos com parafina, silicones, óleo mineral ou shampoos com pH alto. Quanto mais natural a origem do produto que vai tratar o seu cabelo, melhor.

transição capilar

– Não se prenda

Literalmente. Deixe o cabelo solto. Tentar domar os fios com rabos de cavalo ou penteados muito apertados numa fase em que eles estão muito fragilizados vai aumentar a queda e deixar as pontas ainda mais ralas. Os grampos e as faixas de cabelo são alternativas menos agressivas para controlar a rebeldia das madeixas.

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– Acelere o crescimento

Já existem diversos produtos no mercado que garantem acelerar o crescimento de forma saudável. Shampoos estimulantes, vitaminas capilares, receitas caseiras, tônicos e muito mais para você acrescentar à sua lista. Eu já usei a linha Rapunzel, da Lola Cosmetics, e recomendo altamente! Aliás, só escuto falar muito bem da marca carioca Lola, que além de produtos para todos (sério, todos!!) os tipos de cabelo, é vegana e, por isso, trabalha com ingredientes de origem natural e não testa em animais.

Mas voltando para a linha Rapunzel, como o próprio nome indica, a promessa é a de estimular o crescimento dos cabelos de forma saudável. E, acredite se quiser, eu realmente notei um crescimento considerável dos meus cabelos no período que eu usei os produtos. Não foi nada gritante, mas eu já estava nessa batalha há alguns meses e percebi uma diferença no ritmo normal de crescimento.

Por outro lado, meus fios passavam pela fase “esquisita” (com texturas diferentes e sem nenhuma definição – basicamente a puberdade de novo) e eles não ficavam exatamente bonitos e brilhoso, mas bem sedosos e hidratados – o que já era suficiente para mim.

De resto, eu cheguei a tomar o Pantogar, que é uma espécie de complexo de nutrientes que traz diversos benefícios para os cabelos, por três meses mas acabei abandonando porque o preço da caixa subiu absurdamente (foi de R$100 para R$140 só neste período) e isto que só durava um mês (porque é recomendado tomar 3 cápsulas por dia). No fim, vi poucas melhoras – nada que uma boa alimentação não resolvesse

transição capilar

– Escute as blogueiras

Existem diversas blogueiras e youtubers que dedicam postagens só para compartilhar dicas, impressões, ensinar tutoriais de penteados e ajudar você a passar pela transição capilar de uma forma muito mais tranquila. Dentre os blogs, são muito inspiração a Luciene Batalha (https://cabeleiracabeluda.wordpress.com/), as meninas do Cacheia! (http://cacheia.com/), a Amanda Arruda (http://amandaarruda.com/), a Carla Lemos (http://modices.com.br/) e a Carine Oliveria (http://www.blogcarmelitas.com/), que além de muitas outras coisas, dividiram esse processo com o público de uma forma muito bacana. No YouTube, estão as musas das dicas e tutoriais: Daianne Possoly (https://www.youtube.com/channel/UCVB8F2bzhDruXCmqO-ognqw), Duda Fernandes (https://www.youtube.com/channel/UCjauLZYkXigtX90q6tC4-iA), Mari Morena (https://www.youtube.com/channel/UCFvEpyZcVL027ONQ4dQPukQ), Nathalie Barros (https://www.youtube.com/channel/UCNMBpQF9GRsk3_4_lFdshOg), a Nina Gabriella (https://www.youtube.com/user/ninagabriella) e a Rayza Nicácio (https://www.youtube.com/channel/UChird53Is6y5IL5iBbAl_Iw).

 

Eu preciso voltar a dizer que não é minha ideia aqui tratar a transição capilar como a resposta para todos os seus problemas. Na verdade, o assunto só ganhou força porque hoje muitas mulheres se veem reféns das químicas que se popularizaram no começo deste século. E a questão é que não é um processo dos mais fáceis porque exige muita paciência e uma certa dedicação. De novo, também não é nenhum drama, só que se alguém já passou por isso e sabe os caminhos das pedras, por que não compartilharia com quem também quer abandonar o vício do alisamento, não é?

Bem…pela minha experiência e do que pude perceber das meninas que passaram pela transição capilar, posso dizer que o processo é libertador em muitos sentidos: obviamente, por não precisar mais fazer alisamentos e poder deixar o cabelão crescer livre, leve e solto e também de desenvolver aos poucos a confiança de, um belo dia, sair na rua com os fios molhados e deixá-los secar ao vento. Ainda falta tempo para eu recuperar o meu cabelo e ficar com ele 100% natural, mas a cada dia eu me sinto mais segura com a minha decisão e feliz de poder andar por aí e me sentir bonita de qualquer jeito.

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